Tecnologia do Blogger.

29/06/2014

Tag:

"E se"


O problema de toda essa propaganda sobre a vida que merece ser vivida é que a gente se sente numa responsabilidade gigantesca de ser feliz a todo preço e essa responsabilidade está tirando a liberdade do erro, do fracasso, da tristeza, da perda e, pasme: do amor. Quando é proibido sofrer, o jeito é não amar. Até Drummond já dizia que era “proibido passear sentimentos ternos ou desesperados nesse museu do pardo indiferente”. Melhor mesmo é ter uma lista de “amigas coloridas” para um sexo gostoso e passar o dia dos namorados sozinho pra não ter que mudar o status do Facebook pra “solteiro” em uma terça-feira chuvosa na qual você sentiu uma dor no coração tão grande que achou que ia ter um infarto. Melhor mesmo é não correr o risco de ouvir “eu acho melhor sermos somente amigos” na sua cabeça toda vez que você precisa passar perto da casa dela. Melhor mesmo é não amar e não ficar vulnerável; é não permitir que uma pessoa qualquer destrua todas as suas defesas e bagunce tudo que você construiu ao arrancar um pedaço de você em um beijo, um sorriso ou em um momento de gozo que você queria que durasse pra sempre. Melhor mesmo é não misturar as coisas e não se envolver. Curtir a vida e não “arranjar sarna pra se coçar”. Não é?
 
Não. Desculpe, mas eu prefiro não ser feliz o tempo todo pra ser feliz de verdade. Sinto muito, mas ‘não confundir sentimentos’ é algo que não faz o menor sentido pra mim. Eu nasci pra confundir todos eles, pra mexer neles, bater no liquidificador, trucidar alguns, amassar calmamente outros, acariciar, tomar com leite, guaraná, engolir a seco; ‘batido, não mexido’, brindado, transformado, usado, medido, somado, triplicado, reduzido a nada; confundir tudo, todo ele, atarracar todo esse sentimento transbordante. Sim. eu quero mesmo, custe o que custar! E da próxima vez em que disser “não quero me envolver” por favor, pense melhor. Pessoas são reais e o que elas sentem também e é exatamente o fato de que as pessoas se envolvem em cada gesto e em cada olhar, que torna tudo isso real. Quando você fala algo assim pra alguém ignora todas as perguntas que vão ficar com o outro se ele for minimamente mais corajoso que você. Sim, ele vai se perguntar “e se” você não tivesse tido medo da sensação de perder o seu controle; e vai querer saber “e se” você tivesse aceitado que ela era sua paz e seu tormento sem tanta neura da infelicidade que isso trazia às vezes. Essas covardias vão deixando muitas perguntas e tristezas sufocadas por um mundo onde ninguém pode ser triste nunca. No fim a pessoa que podia ter sido o grande amor da sua vida, vai se perguntar “e se você tivesse dito sim pro que a gente tinha?” e vai perceber que “e se” é perigoso demais no seu mundo.
 

About Ingrid Oliveira

Hi, My Name is Hafeez. I am a webdesigner, blogspot developer and UI designer. I am a certified Themeforest top contributor and popular at JavaScript engineers. We have a team of professinal programmers, developers work together and make unique blogger templates.